Quando o Silêncio Grita Mais Alto que o Apito Final

Em Baixa Grande, o futebol sempre foi mais que bola rolando. Foi escola, foi amizade, foi construção de caráter. E, por ironia do destino — ou descuido humano —, justamente quem ajudou a escrever essa história saiu de cena sem sequer receber uma nota oficial de despedida da instituição que deveria zelar pela memória do esporte local.
A Liga de Esporte de Baixa Grande, mais uma vez, deixa a desejar. E não é por falta de tempo, de internet ou de criatividade. É por falta de sensibilidade institucional.
O falecimento de Luiz Carlos Fernandes Maciel, o nosso eterno Professor Lula, não foi uma perda qualquer. Foi a queda de um pilar silencioso do futebol amador, daquele que não aparece em foto de final de campeonato, mas que constrói atletas, cidadãos e amizades duradouras. Ainda assim, a Liga preferiu o silêncio — um silêncio ensurdecedor.
Enquanto isso, ligas de cidades vizinhas como Mairi e Ipirá fizeram o que se espera de qualquer entidade esportiva minimamente comprometida: publicaram cards, notas de pesar, gestos simples, porém carregados de humanidade. Já em Baixa Grande, onde Professor Lula construiu sua história, nada. Nenhuma linha. Nenhuma imagem. Nenhum reconhecimento.
É curioso — ou trágico — como a história insiste em se repetir. Como bem diz a Bíblia: “profeta não tem honra na sua própria terra”. Em Baixa Grande, parece que nem professor, nem desportista, nem amigo.
A presidência de uma instituição pública não é apenas um cargo burocrático. É, antes de tudo, um compromisso moral com a história, com as pessoas e com a memória coletiva. Homenagens não são favores, são deveres. Notas de pesar não são protocolos vazios, são gestos mínimos de respeito.
Talvez a Liga tenha pensado que o Professor Lula era “simples demais” para merecer destaque. Mas a hipérbole da realidade nos ensina o contrário: há gigantes que caminham em silêncio, e quando se vão, deixam um vazio que nenhum campeonato consegue preencher.
Ainda há tempo. Errar é humano, mas insistir no erro é institucional. Este seria um excelente momento para a Liga de Esporte de Baixa Grande reconhecer a falha, retratar-se publicamente e honrar quem tanto fez pelo futebol local. Não para apagar o erro, mas para demonstrar maturidade, respeito e compromisso com a própria história.
Porque no fim das contas, títulos passam, gestões acabam, mas a memória de quem construiu o esporte permanece. E o silêncio, quando não corrigido, também entra para a história — infelizmente, como um gol contra.
