Baixa Grande e o mistério das reformas sem fim na Casa Legislativa

Baixa Grande pode não ter metrô, aeroporto ou grandes indústrias, mas possui algo que nenhuma cidade do mundo ousa copiar: uma Câmara Municipal especialista em reformas “eternas”. Não importa quem ocupe a presidência, a tradição é mantida com zelo quase religioso: reforma-se, reforma-se de novo e, se sobrar tempo, faz-se outra reforma para reformar a reforma anterior. Coincidência? Só para os muito ingênuos.
Curiosamente, sempre que se inicia uma obra na Casa Legislativa, a população é agraciada com um espetáculo de prazos “elásticos”. O mais recente capítulo dessa novela foi protagonizado pela atual gestão, que tinha como meta reinaugurar o prédio em 10 de agosto. Porém, como manda o enredo, um aditivo de prazo publicado no Diário Oficial empurrou a entrega para 09 de novembro. Só mais três mesinhos… afinal, o que são 90 dias perto da eternidade das reformas legislativas de Baixa Grande?
E aí começam as perguntas que ninguém — repito, ninguém — parece disposto a responder:
Por que todos os presidentes da Câmara fazem questão de mexer no prédio, mesmo que visualmente ele pareça em perfeito estado?
Existe algum tipo de compulsão por obras ou é apenas amor pelo cheiro de tinta fresca?
O Tribunal de Contas dos Municípios não vê nada de estranho? Ou será que a cor da parede é assunto sigiloso?
E o Ministério Público, que costuma ser tão vigilante, por que parece fazer vista grossa a cada aditivo, cada orçamento, cada atraso?
Enquanto isso, a população — essa mesma que paga a conta — fica apenas assistindo, sem direito a saber quanto realmente custa essa paixão desenfreada por reformas. E mais: quais “necessidades urgentes” justificam tantas mudanças? Será que o plenário precisa de um novo tipo de mármore para combinar com o humor dos vereadores? Ou talvez um sistema de som importado para amplificar os discursos… de inauguração?
O fato é que Baixa Grande parece viver uma espécie de “Síndrome da Reforma Infinita”. E, como toda boa tradição política brasileira, ninguém questiona, ninguém investiga e, no fim, todos posam para a foto na reinauguração — seja ela em agosto, novembro, ou em qualquer data que a próxima “necessidade” mandar adiar.
Enquanto isso, seguimos aguardando o grande dia em que alguém terá coragem de explicar o que existe por trás dessa paixão quase romântica dos presidentes da Câmara por obras que nunca terminam. Até lá, a pergunta que ecoa é uma só: será mesmo a Câmara Municipal que precisa de reformas… ou é outra coisa que está precisando ser reparada?

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